historial das desigualdades
Etnicidade é algo que importa, que afecta a vida quotidiana das pessoas por todo o planeta. Karner (2007) explica que a etnicidade importa por duas razões: a primeira, como causa de diferentes eventos, inclusive se relacionando com fenómenos culturais e religiosos, que são mal-entendidos e tratados comummente como fonte de violências e problemas sociais. A segunda razão pela qual a etnicidade importa é o fato de que no presente seu poder reside mais nos efeitos que são a ela imputados do que nos seus efeitos sociais, ou seja, menos na sua capacidade de determinar o comportamento das pessoas e muito mais como “quadro de interpretação e mobilização política”. Nesse sentido, a etnicidade é construída por atores sociais como uma força poderosa, com capacidade de transformação do mundo e não só de pessoas internamente
Karner sobre etnicidade encontra paralelo nos apontamentos de Gilroy sobre a forma como a ideia de raça e com ela a racialidade foi construída na região que classifica como “Atlântico negro”. Europa, África e Américas, que estiveram envolvidos no tráfico negreiro pelo Oceano Atlântico que sucedeu o período dos descobrimentos. Tal processo foi parte constitutiva da construção da modernidade. As consequências disso permanecem relevantes ainda no presente e são elas a raiz do racismo e do conceito moderno de raça.
O que hoje se entende por raça/etnia, como uma compreensão característica da Sociedade Moderna.
Segundo Ponce a racialização, é um processo que permanece operando até o presente, a partir do que, no exemplo que analisa, latinos e mexicanos são categorizados como inferiores nos Estados Unidos, classificados no grande e estigmatizado grupo dos “imigrantes” ainda que sejam cidadãos estadunidenses e a segunda ou terceira geração de suas famílias
A modernização/europeização da sociedade, Baisley (2014) explica que pessoas desses dois grupos étnicos até o início do século XX, embora reconhecessem diferenças entre si, conviviam em paz com isso. “O catolicismo” etnicamente superiores. A partir disso, foi institucionalizado um sistema de discriminação entre etnias e cargos oficiais de maior status foram distribuídos aos Tutsis, agora favorecidos como uma classe superior no sistema social, o que também trouxe à tona antigas rivalidades de classe, de um passado longínquo e que já não mais existia no século XX, mas ainda lembrado pela cultura popular.
Em poucas palavras, raça e etnia são critérios de classificação de pessoas, com sentido e relevância social, que possuem um uso específico como forma de dominação, que sempre afectará mais fortemente pessoas que sejam mais radicalmente diferentes do grupo étnico/racial dominante que é sempre europeizado e fisicamente mais parecido a pessoas brancas.
2. As desigualdades étnicas e raciais
Uma das formas de desigualdades social mais actuante nas sociedades contemporâneas é a das relações étnicas e raciais. As razões para o destaque que lhe podemos dar são tanto a sua persistência histórica
2.1. Desigualdades étnicas
Segundo John, as fronteiras étnicas são construídas e decorrem sobre tudo de mecanismo do tipo cultural. A análise weberiana de formação de grupos sociais, segundo ele, os relacionamentos sociais podem ser distinguidas como abertas ou fechadas, consoante exista ou não abertura à participação de outros indivíduos a vida urbana e da vida rural
A formação destas atitudes é variável a adopção de um comportamento de “abertura” ou de um sentimento comunitário, pode existir nuns contextos e desaparecer noutros ainda que muitas das características dos indivíduos sejam idênticas sentimento relação a um compatriota
3. Relações entre etnia e saúde
Embora as etnias não tenham expressão biológica, como construtor social elas têm importante impacto sobre as condições de saúde e o acesso e utilização de serviços de saúde. Nas pesquisas em desigualdades sociais em saúde, as desigualdades étnicas são geralmente atribuídas a diferentes condições sócio económicas ou valores culturais resultantes da pior inserção social desses grupos na sociedade.
o efeito da acumulação de desvantagens ao longo da trajectória de vida, de grupos étnicos minoritários em áreas residenciais pobres e deterioradas do ponto de vista urbano e os efeitos deletérios de viver em uma sociedade percebida como racista
O tabagismo ocorrem em quatro grupos sociais: trabalhadores manuais ou do sector de serviços; brancos com escolaridade secundária ou inferior; trabalhadores agrícolas negros com escolaridade secundária ou inferior; indígenas e esquimós em todos os grupos excepto aqueles com formação universitária e em hispânicos trabalhando no sector de serviços
4. Desigualdade racial
Antes de falar a cerca da desigualdade racial, primeiro vamos decifrar o termo racismo. Racismo refere-se a uma ideologia social de inferioridade, que é usada para justificar o tratamento diferencial concedido a membros de grupos raciais ou étnicos, por indivíduos e instituições, usualmente acompanhados por atitudes negativas de depreciação com relação a esses grupos.
A desigualdade racial é o resultado de distinções sociais hierárquicas entre grupos étnicos dentro de uma sociedade e, muitas vezes estabelecida com base em características como a cor da pele e outras características físicas ou origem e cultura de um indivíduo. O tratamento desigual e de oportunidades entre os grupos raciais é geralmente o resultado de alguns grupos étnicos, considerados superior a outros. Esta desigualdade pode se manifestar por meio de práticas de contratação discriminatórias em locais de trabalho, em alguns casos, os empregadores têm demonstrado preferir a contratação de funcionários em potencial com base na percepção étnica dado o nome de um candidato. Isto, juntamente com a xenofobia
4.1. Desvantagens da desigualdade racial
Discriminação económica - no tange a descriminação económica verifica-se a percepção de discriminação que varia com o nível socioeconómico dos indivíduos, sendo maior entre aqueles mais bem posicionados na escala social; Segregação espacial - significa restrição das possibilidades de acesso a oportunidades de educação e emprego, resultando em inserção social desvantajosa e ausência de mobilidade social; Exclusão social; Destituição do poder político; Desvalorização cultural.
5. Elementos que apontam a existência do Racismo na Escola:
Esses dois elementos que apontam a existência do racismo na escola são: Político-Programática e relações inter-pessoais no âmbito escolar.
5.1. Político-Programática
A dimensão Político-Programática do Racismo Institucional pode ser caracterizada pela falta de produção de informações sobre: as condições de vida, de saúde, experiências diferentes e/ou desiguais em nascer, viver, adoecer e morrer. A prevenção do racismo e intolerâncias correlatas – incluindo a sensibilização e capacitação de profissionais serviço público e também pelo falta de compromisso em priorizar a formulação e implementação de mecanismo e estratégias de redução das disparidades consequentemente promovendo da equidade de direito e acesso aos serviços e bens públicos
5.2. Relações inter-pessoais no âmbito escolar
Esta dimensão diz respeito às relações que se estabelecem entre dirigentes e trabalhadores trabalhadores usuários dos serviços. No caso estudado, que estas relações são estabelecidas na escola entre Estado, gestores, professores, funcionários, estudantes e pais. A relação professor educando para uma educação anti-racista. Estes professores não estão instrumentalizados para trabalhar em sua prática pedagógica
Embora a prática pedagógica seja um momento em que a escola pode reproduzir essas ideologias não podemos esquecer que esta pratica pode também contribuir com a sua superação. Nesse sentido, é preciso garantir que a sala de aula possa se constituir num espaço de luta pela afirmação de suas origens, a partir do desvelamento da sua verdadeira história e das reais intenções dos conteúdos estudados
As leis sozinhas não bastam, nessa luta, o papel do docente é fundamental. O professor deve possuir informação, formação, discernimento e sensibilidade sobre a situação da realidade social e racial do país, para contribuir para a superação do preconceito e discriminação nas nossas escolas.
6. As maneiras de combater as desigualdades étnicas e raciais
Eduque as crianças para o respeito à diferença. As diferenças enriquecem nosso conhecimento; contextualize e sensibilize; Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime; Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente; Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação; estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras
7. A proibição da discriminação racial no sistema das Nações Unidas
A promoção do respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos “sem distinção de raça, sexo, língua ou religião” constitui um dos objectivos das Nações Unidas, conforme consagrado na respectiva Carta. O direito à igualdade e a proibição da discriminação racial constituem igualmente princípios fundamentais inscritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Comentários
Enviar um comentário